segunda-feira, 7 de maio de 2012




O LIVRO, UMA PAIXÃO NECESSÁRIA

"Oh! bendito o que semeia,
livros, livros à mão cheia
e manda o povo pensar".
Castro Alves
 
No Brasil do século 21, os livros serão agentes de transformação social. As crianças viajarão nas páginas ilustradas das sagas admiráveis. Os jovens debaterão o desenrolar de um romance machadiano. As pessoas da melhor idade lerão poemas dos novos autores, revivendo saudades.
Segundo Monteiro Lobato, que construiu com palavras um mundo de fantasia e felicidade, um país se faz com homens e livros. Homens e mulheres e jovens e crianças – e livros. Recordo de uma leitura antiga pela qual soube que, na Rússia dos sovietes, os camponeses liam volumes e mais volumes de literatura, nas noites frias do Ártico. O que queremos dar aos nossos filhos? Alguns, riquezas. Outros, títulos honrosos. Bill Gates, o criador do Windows, diz: primeiro, os livros.
O livro comove, marca a alma, sacia as sedes e fomes do ser humano. Quando ele fala, a alma responde. Fechado, pode ser objeto de colecionador. Aberto e digerido, provoca sensações desconhecidas e possibilita novos jeitos de caminhar. Os olhos, dantes cerrados, abrem-se e vislumbram as sendas que conduzem para além do horizonte. Os pés, inertes e tesos, ganham forças e mobilidade. As mãos, lentas ou céleres, deixam suas impressões nas páginas folheadas. O texto, em cordial atitude, marca indelevelmente a alma de quem o lê.
Lançado como sêmen nas mentes virginais, o livro produzirá, após os sintomas da gestação, os brotos abençoados. Palavras que formam frases, frases grávidas de idéias, idéias que viram sonhos – sonhos que suscitam a vida.
Num emaranhado de teias vai o leitor caminhando, reconhecendo a si mesmo nos livros que pensa ler. O livro é casulo que envolve plenamente o leitor, retendo-o pelo tempo necessário para transformá-lo em borboleta esvoaçante que colore a primavera. Quando leio o livro, acredito que o livro me lê. Leal, guarda em si todos os meus segredos.
Meu pai lia muito, sentado à porta do Quartel de polícia, onde servia como militar. Meu pai nunca me disse: "Leia". Um dia, porém, catando trastes velhos no quintal de casa para fazer brinquedos, encontrei um livrinho sem fim e sem princípio. Quedei absorto, no silêncio do crepúsculo, transportado que fui para uma pradaria do Arizona (EUA), onde um caubói acordava sentindo cheiro de toucinho... Meu pai foi meu exemplo, e meu primeiro incentivo.
Comecei ali a minha jornada. Uma jornada que passou pelos livros populares em papel jornal e chegou aos grandes clássicos. Uma jornada por um universo mágico e sem fronteiras. Uma jornada pela Bíblia, pela Morte de Ivan Ilitch, pelas Cidades Invisíveis, pelas Memórias Póstumas de Brás Cubas. Jornada que jamais finda. Recomeça sempre, ao abrir um novo ou velho livro.

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