sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012









Gaivota


Porque não sou poeta e o que escrevo
São apenas fragmentos de minha alma,
Estou livre como qualquer pássaro migrante,
Para alçar novos voos. Se antes voei,
Foi entre as grades da gaiola, bebendo
No cocho e batendo as asas.

Posso voar agora porque é outono.

Posso fotografar do alto os milharais amarelos
Ansiosos pela colheita, as sinuosas trilhas
Com seus segredos, as fazendolas, as cidades.
Minhas asas estão mais fortes, cada vez mais.

Posso voar agora porque é outono.

Após cada revoada - se beijo a lâmina do mar,
Se me perco nas alucinantes alturas - suo e rio.
Voar e voar, eis o que me atrai.
Às vezes contra o vento, às vezes sob tempestades.
Às vezes acima das nuvens – flocos de algodão.
Às vezes, como Ícaro, de encontro ao sol.
Voar e voar, eis o que me atrai.

Porque não sou poeta.
E o que escrevo são meros fragmentos de minha alma,
Estou livre e posso cantar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário